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Publicação da Agência Sebrae
de Notícias de 13 de fevereiro de 2006
Pequena empresa pode ter preferência
nas compras governamentais
Projeto da Lei Geral, em apreciação
pela Câmara, fixa o limite preferencial de R$ 80 mil para
compras de micro e pequenas empresas
Sandra Manfrini
Divulgação
Pequenas empresas do Amazonas fornecem mobiliário escolar
para o governo local
Brasília - As micro e pequenas empresas poderão ter
preferência, como fornecedoras, nas compras governamentais
de até R$ 80 mil. É o que está previsto no
projeto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, já aprovado
pela Comissão Especial da Microempresa da Câmara dos
Deputados e que deve ser votado pelo Plenário da Casa até
a terça-feira (14), último dia de convocação
extraordinária do Congresso Nacional. Para muitos setores
da economia, essa é uma grande chance de desenvolvimento
local.
"Sem dúvida, esse é um dos itens mais importantes
da Lei Geral. No Brasil, em regiões menos desenvolvidas,
os governos (federal, estadual e municipal) são grandes compradores",
afirma o presidente da Associação Comercial e Empresarial
do Estado de Sergipe, Jorge Santana.
Na avaliação de Santana, ao se dar preferência
ou uma cota específica para as micro e pequenas empresas
atenderem à demanda dos órgãos públicos,
o poder de compra estará sendo usado em favor desse segmento.
"A conseqüência disso é o desenvolvimento
local", enfatiza. Ele destaca ainda que, em pequenas cidades,
essa iniciativa contribui para a economia local, com o fortalecimento
das empresas do próprio município e o aumento da geração
de emprego e renda.
Esses são benefícios da medida que podem compensar,
na avaliação de Santana, preços um pouco maiores
que de grandes empresas. "As micro e pequenas empresas não
têm economia de escala. Por isso, é preciso que os
administradores públicos levem isso em conta e avaliem as
outras vantagens de desenvolvimento local que a compra pode trazer
ao município".
Para Santana, que é também diretor da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil
(CACB), é importante que a Lei Geral dê o amparo legal
para que o administrador público possa dar preferência
ao segmento dos pequenos negócios. Segundo ele, a pequena
empresa vai saber atender essa demanda. "A economia de mercado
é movida pela demanda. A oportunidade vai levar as micro
e pequenas empresas a buscar melhorias, qualidade e preços
mais competitivos", diz.
Bom exemplo
No Brasil, a participação de micro e pequenas empresas
em compras governamentais ainda é pequena. A Lei 8.666, que
trata de licitações e contratos da Administração
Pública, não permite o favorecimento ao segmento.
Existem casos isolados pelo País em que o poder público
busca os pequenos produtores como fornecedores de bens e serviços.
No Amazonas, por exemplo, um decreto estadual, do ano passado,
determinou que todo o Estado passasse a comprar o mobiliário
escolar confeccionado com madeira certificada, extraída dentro
de um plano de manejo sustentável, e que atendesse a determinadas
especificidades técnicas. A medida beneficiou pequenos moveleiros
de Itacoatiara (AM), que desenvolveram a carteira escolar dentro
da padronização requerida.
Para o presidente da Coopeflora da Amazônia, Marcus Sávio
de Oliveira, a iniciativa do governo estadual conseguiu gerar emprego
e renda, além de incentivar a preservação e
manejo sustentável da floresta. Oliveira conta que a produção
da cooperativa, que reúne 20 associados, chega hoje a 5 mil
móveis por mês, em razão das encomendas do Estado.
"A iniciativa deu um ganho muito grande aos cooperados e tem
um cunho socioeconômico muito forte. O mais importante é
que estamos empregando 140 pais de família", afirmou
Oliveira. O Sebrae no Amazonas é parceiro do governo nesse
projeto, com a capacitação dos moveleiros para a padronização
das carteiras escolares.
Além da geração de emprego, conta Oliveira,
a iniciativa está permitindo à cooperativa investir
em equipamentos de ponta e em uma unidade industrial própria.
Segundo ele, várias regiões do Estado estão
adotando o projeto de Itacoatiara como modelo para promoção
do desenvolvimento local.
Entraves
O apoio que os pequenos moveleiros amazonenses estão tendo
é reclamado em vários outros estados do País.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário
do Distrito Federal e diretor regional da Associação
Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção
(Abit), Márcio Franca, muitos critérios colocados
nas licitações públicas acabam excluindo a
participação dos pequenos negócios.
Ele cita como exemplo o volume e o prazo das operações.
A questão do volume, segundo ele, as indústrias de
confecção têm tentado resolver com o espírito
associativista. Mas, a questão do prazo, muitas vezes, torna-se
impeditiva e poderia ser resolvida com a divisão da compra
por lotes.
Para Franca, a participação hoje das indústrias
do vestuário do DF nessas compras não é nula,
mas é inexpressiva, exatamente porque não tem um marco
legal sobre a questão. "Diante do mercado, há
um campo grande a ser conquistado", afirma.
A avaliação do empresário é que as
indústrias do setor, no Distrito Federal, têm condições
de atender à demanda futura que poderá surgir com
a aprovação da Lei Geral. Segundo ele, os empresários
têm investido no associativismo e em capacitações
para aprimorar a qualidade dos produtos oferecidos.
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – (61) 3348-7494
Associação Comercial e Empresarial do Estado do Sergipe
– (79) 3211-9767
Sindicato das Indústrias do Vestuário do Distrito
Federal – (61) 3362-3856
Coopeflora da Amazônia – (92) 3521-2384
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