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Publicação da Agência Sebrae de Notícias
de 02 de Abril de 2007
Regulamentação deve ser feita em
conjunto
Assunto foi tratado durante 'Congresso Internacional
Compras Governamentais e as Micro e Pequenas Empresas – Lei
Complementar nº 123/2006', que acontece em Brasília
Dilma Tavares
Márcia Gouthier/ASN
Ministro José Augusto Delgado, diretor do
Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, ex-funcionário da Nasa
Ralph C. Thomas, ministro do TCU Benjamin Zymler e secretário
do ministério Rogério Santanna
Brasília - O Tribunal de Contas da União
e o Ministério do Planejamento devem trabalhar juntos na
regulamentação do capítulo da Lei Geral das
Micro e Pequenas Empresas que trata de compras governamentais. A
proposta partiu do ministro do TCU, Benjamin Zymler, e foi aceita
pelo secretário de Logística e Tecnologia da Informação
do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna.
Isso aconteceu durante o 'Congresso Internacional
Compras Governamentais e as Micro e Pequenas Empresas – Lei
Complementar nº 123/2006', que teve início nesta segunda-feira
(2) no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
em Brasília. O evento prossegue até a terça
(3).
A avaliação do ministro Zymler é
de que esse capítulo trata de princípios e ainda é
muito abstrato. A má regulamentação poderá
resultar em inconstitucionalidades e bloqueios por parte do Judiciário
e dos Tribunais de Contas. O entendimento prévio do TCU com
o Ministério do Planejamento poderá evitar esse tipo
de problema.
“Às vezes a administração
pública parece formada por ilhas isoladas, que não
se comunicam. O que queremos é essa comunicação,
para evitar problemas futuros, evitar que essa lei, que veio com
muito boas intenções, seja prejudicada pela sua ineficácia”,
disse o ministro em entrevista.
“Certamente aceitarei o convite do ministro
para um debate mais próximo com o TCU sobre o assunto”,
afirmou Rogério Santanna. A previsão do secretário
é de que até julho estará pronto o decreto
que regulamentará as compras governamentais no âmbito
federal. A sua avaliação é de que “uma
implementação forte” desse capítulo da
lei, por parte do governo federal, poderá “animar estados
e municípios para que sigam o mesmo caminho”.
Hoje, segundo Rogério Santanna, o governo
federal compra anualmente cerca de R$ 27 bilhões. Desse total,
as micro e pequenas empresas fornecem entre 14% e 20%. A meta do
governo, disse, é aumentar essa participação
em mais 15%.
Zymler e Santanna participaram do painel que tratou
sobre o 'Uso do Poder de Compra do Estado como Instrumento de Desenvolvimento
Econômico e Social'. Também participou desse painel
o ministro do Superior Tribunal de Justiça, José Augusto
Delgado, para quem a lei não é de fácil entendimento.
Ele também destacou a importância da atuação
do Congresso.
“Num momento em que se organiza um seminário
dessa natureza para se discutir uma lei de tão grande importância
como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, temos que tecer
nossos louvores e abrir nossos olhos, inteligências, consciências
jurídicas para conseguir o melhor. E o que é o melhor?
É fazer com que a lei seja compreendida a quem ela se destina”,
disse.
Outro palestrante, o diretor-executivo do Instituto
Ethos, Paulo Itacarambi, pediu aos ministros que “procurem
receber e analisar a lei com a melhor boa vontade”. Ele defendeu
que nas relações de mercado, nas compras e vendas,
se considere “não apenas o preço e a qualidade
do produto ou do serviço, mas também a qualidade do
comportamento da empresa, se esse comportamento é responsável
com a sociedade”.
Segundo o gerente de Políticas Públicas
do Sebrae Nacional, Bruno Quick, o seminário tem exatamente
o objetivo de trazer um novo entendimento sobre o uso do poder de
compra do Estado que não leve em conta apenas a redução
de custo e sim “a busca pelo melhor preço, incorporando,
no ato de adquirir bens e serviços, o estímulo ao
desenvolvimento econômico, à geração
de emprego e renda nos municípios, à inovação
tecnológica em vários setores da economia, e o estímulo
à formalização dos negócios”.
No congresso, Ralph Thomas, ex-funcionário
da Nasa, a agência espacial norte-americana, contou como o
órgão integrou micro e pequenas empresas em seu trabalho,
fazendo com que sejam fornecedoras inclusive de peças de
alta tecnologia.
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