Conselho quer modificar a Lei de Licitações
Brasília - Agilizar os processos
de licitação e evitar fraudes. É o que
planeja o Conselho Nacional de Secretários de Estado
de Administração (Consad) com a proposta de
alteração da Lei de Licitações,
nº 8.666/1993. O projeto foi apresentado na semana passada
ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Paulo Bernardo. Amanhã (31) os secretários vão
ao ministério iniciar uma rodada de negociações
e tentar chegar a um consenso sobre um texto final a ser encaminhado
ao Congresso Nacional.
O Consad quer substituir o Projeto de Lei
146/2003, do deputado José Santana de Vasconcellos
(PFL-MG), que institui princípios e normas para licitações
e contratos da administração pública.
A expectativa dos secretários de administração
é chegar a um consenso sobre o texto final para modificação
da atual Lei de Licitações em, no máximo,
três meses.
Um dos problemas levantados pelo Consad na
lei vigente é a lentidão do processo. `O maior
problema hoje é a falta de compromisso com a eficiência,
tem licitação que se arrasta por até
180 dias, enquanto a demanda do serviço público
exige rapidez`, reclama o presidente do Consad, Jeovalter
Correia Santos, em entrevista à Agência Brasil
.
Segundo o presidente, é justamente
a morosidade que gera a necessidade dos contratos emergenciais.
`Hoje a maioria das licitações nos entes federados
ocorre dessa forma. Isso é imoral porque não
há licitação. Os critérios são
subjetivos`, ressalta.
A proposta do Conselho é proibir os
contratos de emergência. Para isso, a solução
seria agilizar o processo de licitação. `É
preciso que o processo seja desburocratizado e mais transparente,
com critérios objetivos de avaliação.
É possível fazer em 30 dias uma licitação
que hoje é feita em 180. A lei tem prazos que não
são condizentes com as demandas sociais`, explica Jeovalter.
O Consad também sugere penalidades,
tanto para o servidor como para o licitante (fornecedor) fraudador,
que variam de multas até a exclusão dos fornecedores.
Para isso, o Conselho quer incluir na lei o Princípio
de Despersonificação Jurídica para evitar
que um fornecedor banido possa abrir uma nova empresa, seja
por meio de laranja ou usando outro nome, e dispute uma nova
licitação.
Os pregões eletrônicos são
considerados, pelo Consad, um exemplo de licitação
bem feita. O presidente do Conselho conta que, por meio deles,
houve uma redução de 49% no valor gasto pelo
governo para compra de combustível e equipamento hospitalar.
`Os estados tem conseguido, em média, uma economia
de 25% em todas as compras por meio do pregão eletrônico`,
destaca.
O pregão eletrônico é
uma espécie de leilão invertido feito pela internet,
no qual ganha a empresa que fizer a menor oferta. O valor
de cada uma das ofertas pode ser acompanhado pelos internautas.
Data: 31/1/2006
Fonte: Agência Brasil