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Publicação da Agência
Câmara de 29 de março de 2007
Audiência pública aponta fim
de licitação fora da internet
Agência Câmara - 29/3/2007
Especialistas e parlamentares prognosticaram o fim da licitação
tradicional e a generalização do pregão
eletrônico, em audiência pública realizada
nesta quinta-feira na Comissão Especial de Licitações
e Contratos. A comissão analisa o Projeto de Lei
7709/07, que faz parte do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e prevê mecanismos para destravar
as obras públicas, como a obrigatoriedade do pregão
eletrônico para selecionar fornecedores de bens e
serviços comuns ao Poder Público.
O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) questionou a necessidade
de manter a LICITAÇÃO por carta-convite com
o uso do pregão eletrônico. O relator da comissão,
deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG), afirmou
que, valendo-se da carta-convite, modalidade simplificada
de licitação, há prefeituras que afastam
concorrentes "para assegurar que vença a empresa
de seu interesse". O procurador-geral do Ministério
Público no Tribunal de Contas da União (TCU),
Lucas Rocha Furtado, acredita que, "a prevalecer o
texto do PL 7709/07, a carta-convite, a tomada de preços
e a concorrência tendem a cair em desuso".
Substituição à carta-convite
A Lei 10520/02, ao criar o pregão, estipulou que
essa modalidade poderia ser utilizada em substituição
à carta-convite, tomada de preços e concorrência,
desde que os serviços e bens contratados sejam considerados
comuns, ou seja, padronizados. O PL determina que o pregão,
preferencialmente o eletrônico, passa a ser obrigatório
nesses casos.
Segundo o procurador, a carta-convite só é
viável quando os custos com a publicação
de editais for desproporcional em relação
ao valor da licitação.
"É maravilhoso substituir o papel - e as árvores
agradecem - por arquivos digitais disponibilizados pela
internet", comentou. O projeto autoriza a publicação
de editais de licitação exclusivamente pela
internet, o que reduzirá bruscamente os custos dos
órgãos públicos. "Dizem que apenas
20% da população têm acesso à
internet. Mas qual é o percentual que lê diário
oficial, 0,1%? Ninguém tem acesso", afirmou.
Hoje, a publicação em diários oficiais
impressos é indispensável e onerosa. "Essa
é uma das razões que torna obsoleta a carta-convite.
Com os meios eletrônicos, o processo licitatório
tende a se tornar mais transparente, mais competitivo, mais
barato e, acima de tudo, vai gerar mais economia para os
cofres públicos", assinalou o procurador.
Inversão de fases
A seleção do melhor preço antes da
habilitação dos licitantes ou inversão
de fases, que vigora no pregão e nas licitações
no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPPs),
poderá ser adotada, de acordo com o projeto, em qualquer
modalidade de licitação. O procurador Lucas
Furtado elogiou a medida. "Não faz sentido perder
tempo analisando a documentação de 50 empresas
(para conferir se atende os requisitos para firmar e cumprir
o contrato) se, ao final, você vai contratar apenas
uma", disse.
O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), inclusive,
sugeriu que a inversão passe a ser a regra. "O
administrador público que não a adotar deveria
justificar por escrito", propôs. O deputado Luiz
Carlos Hauly (PSDB-PR) afirmou que a legislação
de licitações não é complicada
por acaso. E sugeriu que sejam adotados cadastros nacionais
de fornecedores e preços, para que os gestores públicos
tenham parâmetros claros na hora de contratar. Furtado
disse que essa previsão já está na
lei, mas ninguém cumpre.
Seguro
O deputado João Almeida (PSDB-BA) sugeriu que o
projeto preveja um "seguro de performance", a
ser pago pelos licitantes, para assegurar que os contratos
com o Poder Público sejam cumpridos. De acordo com
o deputado, expedientes semelhantes são utilizados
no mundo todo. "Por que não daria certo aqui?",
indagou.
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