Projeto de lei sobre agências reguladoras transfere poder de concessão para ministérios
Irene
Lôbo - O projeto de lei que estabelece novas normas
para as agências reguladoras (PL 3337/04), proposto
pelo poder Executivo em abril do ano passado, tramita em regime
de prioridade na Câmara dos Deputados e é uma
das propostas que o governo espera que sejam votadas ainda
neste semestre. Um dos principais pontos do projeto é
o que transfere das agências reguladoras para os ministérios
a responsabilidade pela elaboração dos contratos
de concessão de serviços públicos. Outro
ponto em discussão no projeto de lei é a redução
do mandato das diretorias dos órgãos reguladores
de cinco para quatro anos e, por fim, a obrigatoriedade de
todas as agências reguladoras terem ouvidorias.
O
relator da matéria, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ),
está otimista e acredita que nos próximos 30
dias a matéria possa ser votada na comissão
especial criada para analisar projeto. Para Picciani, a apreciação
pelo Plenário da Câmara pode acontecer ainda
neste semestre, apesar de ainda existirem divergências
entre os deputados sobre alguns pontos do projeto. "A
divergência maior no texto ainda é a questão
das atribuições, o que será do ministério
e o que será atribuição das agências",
explicou.
O
debate ganhou fôlego nesta semana durante o 2º
Fórum Brasileiro sobre as Agências Reguladoras,
em Brasília. O Fórum reuniu por dois dias representantes
do governo e especialistas em direito, economia e administração
para discutir o papel das Agências Reguladoras no país
e as propostas de alteração de seu marco legal.
Ao
fazer um paralelo com a lei das Parcerias Público-Privadas,
Picciani afirmou que a reordenação das funções
dos ministérios e das agências será benéfica
às PPPs. Mais a maior beneficiária, garante
o deputado, será a própria sociedade. "Ganha
a sociedade na questão da transparência do contrato
das agências, principalmente o consumidor, que vai poder
interagir e participar de um projeto que visa garantir não
só a atração dos investimentos como a
boa qualidade dos serviços prestados ao consumidor
e tarifas justas", disse.
As
Agências Reguladoras foram criadas entre dezembro de
1996 e setembro de 2001, por meio de lei aprovada pelo Congresso
Nacional, para fiscalizar a prestação de serviços
públicos praticados pela iniciativa privada. Embora
sejam entes públicos, são independentes do Poder
Executivo e suas decisões são tomadas por um
órgão colegiado. Por lei, também são
autônomas financeira e administrativamente em relação
ao Governo Federal.
Atualmente
existem nove agências reguladoras: Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel), Agência
Nacional do Petróleo (ANP), Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional
de Saúde Complementar (ANS), Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência
Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes
Aquaviários (Antaq) e Agência Nacional do Cinema
(Ancine).