Governo quer mudar lei de concessões públicas
O
projeto (PL 2794/03) que permite a regularização,
sem licitação, de terras públicas invadidas
pode ser votado amanhã na Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público.
A proposta do deputado Tadeu Filippelli (PMDB-DF) restringe
essa isenção apenas a áreas urbanas ocupadas
por imóveis residenciais existentes até a data
da publicação da lei. A dispensa poderá
ser adotada pela União, pelos estados, pelo Distrito
Federal e pelos municípios.
Filippelli afirma que a ocupação desordenada
deve ser prevenida com a execução de políticas
habitacionais eficientes, mas acredita que "o Estado
não pode fechar os olhos para a realidade, cuja culpa
também lhe cabe, por ação ou omissão".
Ao defender a regularização das invasões,
o parlamentar lembra ainda que o governo arrecadará
recursos com a venda dos imóveis invadidos e com a
cobrança dos respectivos tributos. "Não
se busca revogar a exigência da licitação
pública, mas apenas deixar de aplicá-la em situações
irreversíveis e compreendidas em período de
tempo determinado", explica.
O relator da matéria, deputado Milton Cardias (PTB-RS),
recomenda sua aprovação por acreditar que a
medida vá reduzir o déficit habitacional, permitir
a organização das áreas invadidas e aumentar
a arrecadação tributária.
Assédio
e universidade
Os integrantes da comissão podem votar ainda o Projeto
de Lei 2369/03, do deputado Mauro Passos (PT-SC), que prevê
a suspensão e até a demissão do empregado
que assediar moralmente um colega. A proposição
não configura o assédio moral como crime, mas
sim como ilícito trabalhista, que pode gerar o direito
à indenização.
O relator, deputado Vicentinho (PT-SP), é a favor da
proposta, mas sugere algumas mudanças, como a inversão
do ônus da prova - segundo a qual o empregador é
que deverá provar que não houve assédio
- e a substituição processual, que permite ao
sindicato representar o trabalhador na queixa.
Outro item da pauta de amanhã é o Projeto de
Lei 1456/03, apresentado pelo deputado Carlos Abicalil (PT-MT),
que cria a Fundação Universidade Federal Autônoma
dos Povos Indígenas. Essa proposta também recebeu
parecer pela aprovação da relatora, deputada
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
A
Comissão de Trabalho estará reunida no plenário
12, a partir das 14 horas.