Comissão vai analisar projeto sobre gestão de
florestas
A
Câmara criou na última sexta-feira comissão
especial para analisar o projeto de lei do Executivo que permite
o uso econômico sustentável das florestas brasileiras
públicas. Apesar de os partidos ainda não terem
indicado nomes para compor a comissão, a proposta (PL
4776/05) já enfrenta críticas. O deputado Antônio
Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), por exemplo, considera que
o novo sistema representa um instrumento inteligente de gestão.
Presidente da CPI da Biopirataria e membro da Comissão
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, ele
entende, no entanto, que é preciso apontar com mais
clareza como os órgãos de fiscalização
vão impedir a destruição da floresta.
''Temos que encontrar uma saída para ver o que entra
e o que sai. Senão, nós vamos estar facilitando
ainda mais a entrada de madeireiras para explorar livremente
nossa florestas."
Para o deputado João Alfredo (PT-CE) e também
integrante da Comissão de Meio Ambiente, a preocupação
com a fiscalização é pertinente. Por
isso, ele diz que é preciso manter no projeto a previsão
de destinar aos órgãos fiscalizadores parte
do arrecadado com a concessão de uso. "A idéia
é que com a arrecadação dessa concessão
possa se fazer a estruturação desses órgãos.
Além disso, há a previsão das auditorias
ambientais, que vão ser realizadas a cada cinco anos.
Estou apresentando uma emenda para diminuir esse prazo para,
no mínimo, três anos."
Escolha
por licitação
O projeto estabelece regras para a gestão de florestas
públicas para produção sustentável;
institui, na estrutura do Ministério do Meio Ambiente,
o Serviço Florestal Brasileiro (SFB); e cria o Fundo
Nacional de Desenvolvimento Florestal.
Nas regras para gestão de florestas públicas,
o projeto prevê que os interessados em administrar os
recursos florestais, mantendo a vegetação, deverão
participar de licitação. Pela proposta, o vendedor
que apresentar o melhor preço e o programa de menor
impacto ambiental e maior benefício socieconômico,
receberá o direito de uso, mas não a posse da
terra. O projeto prevê que não serão destinadas
à concessão áreas onde já existam
comunidades tradicionais, assentamentos florestais ou projetos
de desenvolvimento sustentável. Antes de se estabelecer
uma região para manejo, também devem ser definidas
unidades de conservação. Em dez anos, o Ministério
do Meio Ambiente espera que apenas 3% da Amazônia seja
destinada à concessão, gerando uma receita de
mais de R$ 180 milhões em impostos e criando cerca
de 140 mil empregos diretos.
Um dos principais objetivos da proposta é inibir a
grilagem de terra.