|
Publicação do DCI de 05 de outubro
de 2006
Lei das Micro espera votação
Ana Lúcia Schettino
Após ter sidoaprovado pela Câmara dos Deputados,
com 308 votos favoráveis, o projeto da Lei Geral das Micro
e Pequenas Empresas aguarda apreciação do Senado.
A votação da matéria que amplia benefícios
para as micro e pequenas empresas, está prevista para esse
fim de legislatura, mas promete ser polêmica, pois há várias
emendas solicitando mudanças no texto da Câmara. Além
disso, a sua apreciação pode ser postergada pela
falta de quórum em virtude da disputa do segundo turno,
dia 29.
O relator do projeto, senador Luiz Otávio (PMDB-PA), analisa
as modificações para dar o parecer final, mas avalia
que o melhor caminho é manter o texto aprovado pelos deputados.
Qualquer mudança, observa ele, demandará retorno à Câmara,
o que poderá retardar a entrada em vigor da legislação
em 2007.
Na avaliação do senador Marcos Guerra (PSDB-ES),
a lei deve ser objeto de mais discussão para melhor adequação à realidade
das micro e pequenas empresas. Ele é autor de 11 emendas
relacionadas à diversos aspectos da lei, como a possibilidade
de excluir do Simples as micro e pequenas empresas que aferirem,
no ano calendário de início da atividade, multiplicados
pelo número de meses de funcionamento, receita bruta superior
a R$ 200 mil; a não permissão de ingresso ao sistema
de empresas como creches, escolas de línguas estrangeiras
e cursos técnicos gerenciais e, ainda, aquelas que produzem
cachaça artesanal. “Queremos ampliar a discussão ”,
observa o senador. Ele reconhece, porém, que a nova lei,
conhecida como “Supersimples”, ao propor o cadastro
unificado para abertura de empresas, trará efetiva celeridade
para o processo.
Outra mudança proposta pelo senador Leonel Pavan (PSDB-SC) é manutenção
do pagamento da contribuição para entidades privadas
de serviço social e de formação profissional
vinculadas ao sistema sindical e demais entidades de serviço
autônomo. Pelo projeto originário, as microempresas
ficariam dispensadas de efetuar esse pagamento. O senador destaca
que os serviços sociais autônomos, chamados de “Sistema
S”, são reconhecidos internacionalmente como um dos
melhores sistemas sociais desenvolvidos entre Poder Público
e iniciativa privada na área de valorização
do trabalhador. O que, segundo ele, não justificaria que
tais serviços sejam penalizados.
Maioria absoluta
Aguardada pelos empresários há mais de um ano, a
Lei Geral (PLC nº 100/06) prevê a instituição
de um sistema simplificado de cobrança de impostos e contribuições,
no qual serão recolhidos numa única guia oito tributos — seis
federais — mais o ICMS estadual e o ISS municipal. No Senado,
serão necessários 41 votos — maioria absoluta — para
ser aprovada em plenário e seguir para a sanção
presidencial. De acordo com o texto, a lei está prevista
para entrar em vigor no dia 1º de janeiro de 2007.
O governo já manifestou interesse em aprovar, o mais rápido
possível, o Supersimples no Senado. Na Câmara o projeto
foi aprovado em 5 de setembro. No dia seguinte, o presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou colocar a matéria
em votação, mas não houve quórum mínimo.
Um acordo de líderes partidários aprovou requerimento
de urgência para o projeto. Isso significa que, após
os senadores votarem as 17 medidas provisórias que estão
na pauta, a Lei Geral será a primeira matéria a votada.
Em virtude dessa condição, a proposta poderá ir
diretamente ao plenário sem ser votada na Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, aonde se encontra.
Estratégia
Integrantes de algumas entidades representativas das microempresas
avaliam que a Lei Geral ficou aquém das necessidades do
segmento e que serão necessários aperfeiçoamentos.
Mas estratégia é não retardar a votação
do projeto. “Vamos deixar do jeito que está e depois
vamos trabalhar pelas alterações”, afirma o
presidente da Confederação Nacional das Entidades
de Micro e Pequenas Empresas Industriais (Conampi), Ercílio
Santinoni, que representa 400 mil estabelecimentos.
A mesma avaliação tem o presidente da Confederação
Nacional das Entidades de Micro e Pequenas Empresas do Comércio
e Serviços (Conempec), José Tarcísio da Silva.
Ele destaca, porém, que a unificação e desburocratização
para abertura de empresas terá reflexos significativos no
nível de informalidade existente no País. A estimativa é que
existam hoje 10 milhões de empresas informais. Outro ponto
que deverá ter resultado positivo na melhoria de renda e
geração de empregos é a ampliação
da participação das microempresas no processo de
compras governamentais. De acordo com a nova lei, em licitações
para compras de até R$ 80 mil, a preferência será dada
aos pequenos negócios. Cada uma das instâncias administrativas — federal,
estadual e municipal — terá de elaborar sua legislação.
10 milhões é a estimativa de empresas informais existentes
no País.
.
Voltar |