Projeto muda lei de licitações em busca de agilidade
Além
das novidades nas compras públicas que já estão
em vigor, outras duas grandes mudanças, mais profundas,
podem alterar ainda mais as licitações. A Casa
Civil, sob a chefia de Dilma Rousseff, deve fazer avançar
o projeto de lei que altera completamente a lei de licitações,
a Lei 8.666. O Ministério do Planejamento, em outra
frente, estuda a edição de um novo decreto para
obrigar o uso do pregão eletrônico nos gastos
decorrentes de convênios entre União, Estados,
municípios e Organizações não-Governamentais
(ONGs).
São
cerca de 42 mil convênios por ano, que englobam valores
próximos a R$ 52 bilhões. "Ao menos R$
20 bilhões são gastos em compras", afirmou
o secretário de Logística e Tecnologia da Informação
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Rogério Santanna.
Pelo
projeto de alteração da Lei 8.666 todas as modalidades
de compra pública ficarão mais ágeis
e simples, próximas do pregão eletrônico.
Atualmente as empresas precisam reunir uma série de
documentos e comprovar capacidade burocrática e técnica
para depois apresentar as propostas econômicas em concorrências
públicas. Pelo projeto, as empresas que quiserem participar
de uma licitação primeiro fazem a proposta e
somente se exige a "papelada" da empresa que apresentou
o menor preço, o que deve facilitar a participação
de mais empresas em mais licitações ao mesmo
tempo.
Essa
mudança também torna as compras públicas
mais ágeis, já que a administração
pública só vai checar a documentação
da empresa vencedora da licitação. O projeto
também cria a definição de bens e serviços
comuns em uma página da internet, ou seja, todas as
definições de produtos serão nacionais,
evitando especificações incomuns apenas para
favorecer uma empresa em uma licitação.
Haverá
também a criação do Cadastro Nacional
de Registro de Preços, um parâmetro para os valores
contratados pela administração pública.
Todas as modalidades de licitações poderão
ser eletrônicas e o governo vai reconhecer documentos
digitais. O projeto também permite que licitações
internacionais possam ocorrer pela modalidade do pregão.
O
secretário de Logística informa que o projeto,
que já estava pronto, foi reaberto para discussões
na Casa Civil. "Estamos analisando a possibilidade de
aumentar a concorrência ainda mais em todas as fases
de licitações, criando mecanismos de pregão
até mesmo para as licitações técnicas",
disse.
Hoje
em dia se pontuam as qualificações das empresas
nas licitações de obras e engenharia, por exemplo,
e as propostas econômicas seguem em envelopes fechados,
cujos valores não podem ser negociados.
O
governo está estudando uma forma de criar uma possibilidade
de leilão invertido de preços após a
abertura dos envelopes, utilizando o modelo mexicano como
inspiração. Caso isso ocorra, também
podem diminuir as fraudes nas grandes concorrências,
já que nem sempre as informações dos
envelopes lacrados tinham o sigilo garantido nas instituições
licitantes. "Isso ainda é embrionário,
talvez separemos este ponto do projeto de lei para evitar
que todas as modificações fiquem presas por
este ponto, que deve enfrentar grandes resistências
no Congresso", disse.
A
expectativa é que esse projeto fique "novamente"
pronto rapidamente, aguardando apenas a avaliação
do melhor momento político para enviá-lo ao
Congresso Nacional.
A
outra mudança é mais recente e é a primeira
totalmente formulada sob a gestão de Paulo Bernardo
à frente do Ministério do Planejamento. "Essa
outra proposta é mais simples, basta um decreto presidencial
obrigando que todas as compras decorrentes de convênios
com Estados, municípios e ONGs contratem os produtos
e serviços comuns apenas por pregão", afirmou
o secretário. O valor de economia dessa medida, segundo
a experiência do governo, poderá ser de até
R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões por ano.
Segundo
Santanna, as discussões estão bem avançadas.
"O projeto agora está na Secretaria do Tesouro
Nacional, que é quem é o responsável
pelos convênios", afirmou. Caso o decreto seja
aprovado, demorará um ano para que todos os convênios
migrem para o novo sistema. "À medida que os atuais
convênios forem vencendo vamos migrando para a nova
sistemática de compras", disse o secretário
de logística.
Além
dessas duas alterações, o Ministério
do Planejamento atuou junto ao Sebrae na proposta de elaboração
do anteprojeto da lei Geral das Micro e Pequenas Empresas,
que pode ser enviado em breve ao Congresso. "Criaremos
mecanismos de preferência para as micro e pequenas empresas,
reserva de mercado para elas, mas ainda ficaremos longe do
subsídio a este setor que existe em países como
os Estados Unidos", esclareceu o secretário. (HGB)